A Gratidão de António Nobre e a Morte

” — Vê, tantos sustos! e afinal não era nada !
E se ele disse “não é nada” é que não é !
(Ó boa Irmã, de voz tão delicada)
Falou verdade o bom doutor.

Bendito sejais vós que me salvaste a vida !” –  António Nobre

É preciso acrescentar, que apesar da bondade da irmã que fez a felicidade de António Nobre, o que é certo é que “nada”, é que não era, e que passados três anos, ele faleceu com a sua doença.

Isto fez-me pensar num artigo recente sobre Homeopatia publicado no Guardian,  que foi seguido de uma enchente de comentários de pessoas que sobre esta medicina apenas têm a dizer mal, deitando-a a baixo e ridicularizando-a.
Vivemos no seio do paradoxo total, de tal maneira que faz isto possível: a grande maioria das pessoas não notar o quanto, ao FAZEREM OUTROS BOBOS, SÃO ELES BOBOS!, por não notarem o quanto são paradoxais eles mesmo.
As pessoas que são radicais e rancorosas contra a medicina natural, dizendo que ela não faz nada, esquecem por completo que somente em 2012 morreram 8,2 milhões de pessoas com cancro. De entre essas, quantas morreram apesar de serem tratadas ? Nenhuma de vós tem parentes ou família que foi tratado, e que morreu de câncer?

Posso dizer apenas uma coisa a respeito dessas pessoas que tentam deitar abaixo radicalmente e ridicularizar as pessoas que são verdadeiramente defensoras da Natureza, e que, todas elas, amam e procuram tanto quanto possível também fazer uso da Natureza, para a saúde: mete nojo.
Porquê? Porque:

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Em primeiro lugar, tentam criar uma divisão que não existe: pelo contrário, a maioria das pessoas que SABE que  é urgente haver mais conhecimento e respeito pela natureza, uma atitude holística, na medicina, não condena a medicina em geral, nem a medicina em si, nem os melhores tratamentos que hajam para um problema!!! O que fazem sim, é tomar conhecimento do que está mal na medicina convencional, ou do que nela pode ser melhor ! Questionam coisas, como todo o cientista e todo o médico deveria fazer, coisas que são claramente questionáveis; coisas que se deveriam discutir, e com as quais milhões de pessoas não estão satisfeitas — embora muitas delas não conheça sequer melhor !
Essa é que é a atitude científica e honesta. Trata-se de colocar o ser humano e a sua saúde, acima da degeneração natural de qualquer processo humano, pelo qual, uma grande indústria, como o é a indústria médica, perde de vista o seu real objectivo, enquanto luta pela subsistência das suas Corporações e Multi-Nacionais.

Não ver o saudável e a necessidade deste processo democrático, independentemente até de se saber ou não algo de medicina natural, equivale a defender os maiores ditadores do mundo. A medicina é alguma ditadura? Não permite perguntas, discussão, crítica e outras opiniões e visões ? Não permite a explicação de outras experiências e da razão de outros, como na democracia ? Assim agem os que ridicularizam aqueles que criticam coisas feitas pela indústria médica. Só podemos criticar arte ou política? Não se pode criticar medicina e tratamentos  que determinam a saúde e vida dos corpos dos nossos filhos e bébés?

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Em segundo lugar, a Medicina Holística e Natural, não é uma panaceia para arranjar miraculosamente as consequências de doenças que não têm causa naturais, e que são produto de um mundo onde praticamente tudo o que tem sido feito pelos seres humanos tem sido contra a Natureza, e contra a saúde natural do ser humano.
A Medicina Holística e Natural com que eu sei lidar, trata de vivermos de outra maneira, trata antes de mais nada, de SAÚDE EM VEZ DE DOENÇA,
TRATA DE CONSTRUIR SAÚDE
E PREVENIR A DOENÇA
DE JUNTAR TODAS AS CONDIÇÕES POSSÍVEIS PARA A SAÚDE ÓPTIMA DO SER HUMANO.
Pensar que ela é irrelevante por causa dos casos em que não resolve uma ou outra doença, é tão ou mais estúpido do que rir e ridicularizar toda o empreendimento médico do ser humano, como bobagem, bobagem essa que deveria ser eliminada, apenas por causa de cada ser humano que também continua doente, apesar dos médicos que o tenham tratado.

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Em terceiro lugar, a medicina natural, JUSTAMENTE AVISA QUE NÃO É POSSÍVEL TRATAR NATURALMENTE, FACILMENTE, uma série de MALES PROVOCADOS PELOS SERES HUMANOS, os quais podem e devem ser evitados. Hábitos, cujas consequências são muitas doenças, das quais sofremos. Acusá-la portanto de não curar estes males, é uma falácia lógica. Ela é a primeira a explicar que a luta contra estes males, são mais agressões à natureza, que por sua vez criam mais problemas e mais doenças. Por isso mesmo, a medicina natural consiste também da luta para que aquilo que nos nutre e alimenta, aquilo que forma os nossos corpos, deixe de ser violado na sua integridade biológica, ou envenenado com técnicas prejudiciais à saúde humana.
Por exemplo, sabemos que as monoculturas gigantes, não se podem realizar sem o aparecimento de muitas doenças. A solução para essa questão é a agricultura biológica, à escala humana; não a pretensa falsa “solução” da mudança genética das plantas, e dos animais!
A ciência é algo de grande responsabilidade, e toda a ciência errada, ou técnica errada que foi feita ou usada no passado sem profunda reflexão ética, teve consequências trágicas que atingiram a todos.

Não só somos todos atingidos pelas consequências, como somos todos atingidos pelas consequências das “soluções” que procuramos para esses problemas.

Assim, temos uma sociedade onde se continuam a encher os supermercados de alimentos com cancerígenos desnecessários, por exemplo (para não falar da sua presença no ar, na chuva, no mar, na água, etc).
Ficamos, legitimamente, contentes com o que parece ser um desenvolvimento na capacidade de cura do cancro. Mas a cura de uma doença, será que isso revela tudo o que foi operado na saúde desse ser humano?

Não posso verificar estes dados, claro está, mas a citação seguinte pode ser muito importante, para percebermos que… só uma mudança para o bem na nossa sociedade, vai ajudar realmente a haver mais felicidade e saúde:
Trata de informação da saúde dos adultos que em criança receberam tratamentos contra o cancro:

Adult survivors of childhood cancers face an increased risk of suffering from health problems including heart disease, infertility and kidney disease, according to the Childhood Cancer Survivors Study. By the time they are 45, those who survived childhood cancer are four times as likely as cancer-free siblings to report severe health conditions.

“The study compared the health status of 10,397 survivors of childhood cancers diagnosed and treated between 1970 and 1986, with the health status of more than 3,034 healthy siblings. It found that survivors of Hodgkins lymphoma are 4.4 times more likely to have more than two serious medical conditions such as a second malignant neoplasmmyocardial infarction (heart attack), coronary artery bypass surgery, heart transplant, end-stage kidney disease, or paralysis  than cancer-free siblings.
Chest radiation and anthracycline-based chemotherapy treatments carried the highest risk for long-term complications. The median survival rate for childhood cancers in the United States is almost at 80%, but at least two-thirds of childhood cancer survivors develop chronic health conditions associated with cancer treatment and a third have serious, life-threatening conditions. ” – Ian Graham 

Conclusão: quando usamos a técnica ou a ciência para fazer algo que não é ético, estamos a fazê-lo a toda a humanidade, e talvez por milénios.

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