A História da Madre Catarina Isabel

Madre Catarina Isabel 
 
Frequentei durante anos uma escola excelente de freiras. Uma delas, era especial. Todas eram individuais e diferentes, mas a Madre Catarina Isabel era especial porque era a que dava alegria. Era a que tinha mais energia, genica, uma vivacidade intensa. As pessoas vinham de todo o lado assistir às missas do Colégio, apenas para a ouvir cantar. Porque quando ela cantava, valia toda a Missa, e por momentos breves as pessoas sabiam de algo que as ultrapassava, a entrega total a Deus. Enquanto que se gastam milhares de euros, para lançar comercialmente algum místico falecido, nós tínhamos ali uma “patriarca”, uma sacerdotisa, uma mística, uma Teresa d’Avila em carne e osso, e sobretudo, em som. Era uma preciosidade, de cuja companhia todas nós, as alunas daquele bom Colégio, teríamos necessitado. Não que eu a tenha tido como professora: vi-a apenas umas poucas de vezes cantando, e uma vez num piquenique, coisa única, nas nossas vidas contidas e reprimidas de então. Um piquenique em que ela levara a guitarra, para tentar partilhar connosco a vida… e foi assim que a conheci: alegre e destemida, entregue e enérgica. O supra sumo da totalidade.Um dia…
Um dia fomos informadas de que a tinham mandado embora: ainda me lembro muito bem do tom crítico do meu pai a comentar isso, de como era estranho para todos e do meu mau sentimento. Que era ordenado por Roma. Foi-se assim, não sei para onde, o exemplo de entrega a Deus que conheci na juventude, até ao meu contacto com místicos indianos, muitos anos mais tarde. 
Nunca a esqueci, nem ao seu cantar, e pensei muitas vezes nela, esperando que estivesse bem — e sempre com aquele sentimento de vácuo no estômago devido ao seu desaparecimento súbito e forçado. Mais nenhuma irmã desapareceu durante os anos que eu estive no Colégio, da mesma forma. Alguém de que todos sentiam falta. Uma criança sente, afinal de contas, que justamente a pessoa mais viva, é aniquilada, sem ter feito mal a ninguém; mas há pessoas a quem a vida, o sentimento, a emoção, incomodam; e depois, os males e erros acontecem sem as pessoas dar por isso. Talvez a Madre fosse demasiado sensível para se lhe tirar naquela altura aquele sítio bom e aquela família, fosse quais fossem as razões, eu não sei.
Daí, quando há pouco tempo tive contacto com o dito Colégio, pela internet, imediatamente perguntei por ela, se sabiam do seu paradeiro: que sim. Valha-nos isso. Mas que não, não estava bem: o inevitável, que ela estava doente, que… que tinha estado longamente doente, depressão…Pois: as pessoas mais vivas, “deprimem-se”. Algum psiquiatra, talvez…. que tenha domesticado a indomesticada talentosa e devota mística, será? Deprimida, imagine-se. E o pior é que tais medicamentos durante anos e anos, prejudicam, matam, viciam, só muito dificilmente se pode uma pessoa libertar-se deles. Roubaram-lhe o coração, a alegria, o misticismo, a elevação, a música. E que voz que ela tinha !!!
Não sei evidentemente o correr da história: sei apenas que uma mulher assim não está deprimida de si, mas sim que outros que são deprimidos e doentes, neuróticos, é que fazem coisas para colocar numa jaula as pessoas como a Madre Catarina Isabel que era indeprimível de coração, alma e carácter, isto é, de si mesmo, da sua própria maneira de ser.
Depressão é caracteristicamente, o sentimento de uma tal falta de interesse por algo da vida, que a pessoa não sente vontades nem desejos, nem ideias, nem o que substitui estas coisas. Mas as pessoas como a Madre, têm, de si mesmas sempre um interesse redobrado, intenso, pelos muitos interesses que costumam ter.
Mais vale deixá-las livres, cumprindo os seus destinos e as suas missões, do que receá-las, pois que a Terra e todos os viventes, têm necessidade delas como de pão e sol, água e ar. Sufocando-as, é o mesmo que sufocar a arte numa sociedade, num país ou numa cultura: nada de valor sobra.
Assim como essa Madre, pelas suas características, fez uma falta inimaginável a muitas crianças nesse colégio, também outros com semelhantes destinos, fizeram uma falta crucial, embora incompreendida.
S. João da Cruz, por exemplo, teria feito uma falta inimaginável no universo do misticismo cristão e da poesia mística cristã. E, no entanto, ele, ou qualquer pessoa como ele, poderia ter sido, hoje em dia, durante o seu processo interior e exterior, considerada como doente, e medicada durante suficiente tempo, para se ter feito dele um diagnosticado de qualquer “doença” ou rótulo, tornado um dependente de “medicamentos” para o resto da vida, em vez de um iluminado.
A minha chamada de atenção não é portanto uma acusação a Roma, mas uma chamada de atenção a todos. Alguma vez Roma, há mais de 4 décadas, teria a responsabilidade de saber mais do que os médicos?
Porém, hoje em dia todos podem informar-se decentemente e espalhar a palavra, para que pouco a pouco tenhamos mais compreensão, e menos vítimas de erros. Uns poucos frascos de uns químicos, poderiam ter feito com que eu não tivesse “A Noite Obscura” de João da Cruz, aqui mesmo à minha frente, ao escrever este texto:
“As aflições e angústias que a vontade sofre neste estado são também indizíveis” – capítulo VII
“Eu era feliz e Ele arruinou-me, agarrou-me pela nuca e fez-me em pedaços, tomou-me como seu alvo; as suas setas cercam-me, atravessar os meus rins sem piedade e espalha o meu fel sobre a Terra. Despedaça-me com feridas sobre feridas. Cosi um saco sobre a minha pele, mergulhei a minha fronte no pó. O meu rosto está entumescido de tanto chorar, e uma sombra estende-se sobre as minhas pálpebras.”
Os tormentos desta noite são tantos e tão terríveis” … e mais à frente, João da Cruz diz ainda que no mínimo, sofrimentos como estes,  e piores do que estes, — descrito embora, com grande beleza —, duraram anos… no mínimo…. :(
Como se vê, aqui está um exemplo claro das muitas razões e de todos os casos em que não deve haver interferências externas como “remédios”, ou pior, que impedem processos internos da alma e do ser humano, sobre os quais nada ou quase nada se sabe.
Se não sei quais os motivos que terão levado a Madre a uma tal situação, sei pelo menos muito bem o que é quando aqueles que têm a missão de nos amar, fazem o que podem para nos escravizar a tais interferências e impedimentos, em vez de nos proteger deles.
Não se trata de poder ou não, de saber ou não, perdoar a essas pessoas. Claro que isso é possível. Mas que tem isso a ver com a perpetuação de um mundo que impediria, justamente, a espiritualidade e até a simples vivência da alma?
Os desenvolvimentos presentes da ciência no sentido da “desnaturalização” dos organismos vivos, interferindo no DNA, na vida, na modificação genética através dos laboratórios, são, também eles, a perpetuação desse mundo, em que os processos interiores e a espiritualidade são impedidos. 

NOTA – Por razões de privacidade e respeito, mudei o nome da Madre. Escrevi este esboço da historia da Madre, a 6 de Março de 2014. Mas estava à espera de ter tratado de outros assuntos, antes de a publicar. Porém, parece ser ainda mais urgente do que o que eu pensava, alertar para estes assuntos.

 

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