Encontros a sério e criação de obras – entre homens e mulheres – (parte II)

Continuo esta pequena trilogia, com um salto, dando uma espreitadela nesse caminho que viremos a estudar — para, por contraste e aprendizagem, descobrirmos a nossa rota.

Programa Geral do Neopaganismo Português
Nós, neopagãos portugueses, rejeitamos a obra cristã por completo, na sua forma directa, e nas suas formas de governo não-aristocrático, todas as fórmulas humanitárias. todas as fórmulas de desiquilíbrio como, por exemplo, o imperialismo germânico ou a democracia aliada; rejeitamos o feminismo, porque pretende igualar a mulher ao homem e conceder à mulher direitos políticos e sociais, quando a mulher é um ser  inferior apenas necessário à humanidade para o facto essencial mas biológico apenas da sua continuação, e rejeitamos as ternuras anticientíficas, como o vegetarianismo, o antialcoolismo, o antiviviseccionismo, não admitindo direitos aos animais inferiores ao homem. Rejeitamos o princípio pacifista; rejeitamos os imperialismos modernos, de índole católica todos — todo o sacro império romano que cada Inglaterra ou cada Alemanha ocultamente quer ser.”  – Tanto pode ser António Mora como Fernando Pessoa (não me é claro agora, mas mais provável é ser Fernando Pessoa, que planeara escrever “O Paganismo Superior”)

Simplificar o assunto da mulher a “isso está ultrapassado, dado que através das universidades, a mulher já provou não ser o que Fernando Pessoa pensava?”, etc., deixa tudo igual. Será realmente isso que está em questão?
É possível ignorar uma gnose maniqueista em que a mulher é considerada representante do mal, como o escuro, a noite, a terra, a matéria, o negativo oposto à luz, ao calor, ao sol, ao bem? Ou em que o mal, posteriormente, é então justificado como mal-necessário-bem? Retorção que F. Pessoa não faz, mantendo-se coerente, verdadeiro, e como tal, útil àqueles que acreditem que, o que certos grupos defendem, talvez seja o oposto do que parece?

Se eu estou convencida que o sofrimento em que ando, e em que tenho andado estes últimos anos, se relaciona de alguma forma com tudo isto? Estou. E como tal, penso que não coube a mim, ter feito melhor. Sem amor, tudo teria sido fácil. Que pensam? Mas é pelo amor que nos perdemos. Um amor incompreendido, e desconsiderado  que, só ele, como o fio de Ariana, ou como a planta para um tesouro secreto, leva à pedra angular que rejeitámos, e sem a qual não há templo que não desabe em ruínas.

Assim também Fernando Pessoa, escrevendo e pensando todo o acima, quando o convívio com as mulheres da família foi interrompido, por ausência da mesma, entrou de imediato em enorme depressão “Estou no meio de uma desolação infinita” — incapaz de escrever, criar ou fazer seja o que for. Até a necessidade económica o assolava….

Eu, porém, devo poder tudo e tudo aguentar, e tudo ter aguentado de outra forma?
Onde existe algum reconhecimento pela necessidade que a mulher tem de estudo e concentração, de formação e apoio? De seres humanos a dizerem-lhe algo?
Ainda me lembro de ter reparado há anos atrás:
Escreve-se sobre um homem artista, escreve-se sobre a sua arte, sobre os seus conceitos e necessidades. Escreve-se sobre uma mulher artista, escreve-se sobre os amantes que teve — ou, que não teve !!! Sobre luxúria, inveja e intriga, sobre o que seja a sua vida pessoal. Escreve-se sobre homens, e é tudo um respeito e elegância e sobriedade sobre os seus mil e um males e achaques sem fim, nunca mencionados nem revelados, aos quais as mulheres que deles cuidaram, deram as suas vidas inteiras, por entre o fenómeno ingrato os trabalhos que requer o cuidado físico de alguém. Escreve-se sobre as mulheres, e os grandes e corajosos homens, ao menor achaque e problema, em plena histeria e cobardia, se entretém, discutindo os detalhes possíveis do que possa denegrir, ofender, matar, destruir social e economicamente, que não diga respeito a ninguém.

O que o homem cria, é no seio de imensurável amor e apoio, o que a mulher tem capacidade para criar, na mais das vezes, no seio de condescendência, insultos e ofensas de que nem estão conscientes, quando não mesmo torturas, da parte de um mundo mesquinho e pavoroso, que ela não teria criado, e que a ela a ataca. E ainda se dão ao luxo de sem vergonha, e, na verdade, sem saberem das dificuldades ou vitórias vencidas, a acusarem, continuamente, seja do que for !!!  Traindo-a, e expondo-a — mas na realidade traindo e expondo as próprias fraquezas e cobardias, dificultando e multiplicando até ao infinito a possibilidade de resolução dos problemas, que na maioria das vezes, lhes tinha custado uma percentagem mínima do esforço que as mulheres por eles fizeram, fazem ou farão.

Deste amor da mulher, nada aprendem, mas estão sempre dando-lhe lições sobre o que ela há milénios pacientemente a seu lado pratica.

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